Moradores de loteamentos da zona Norte de Natal estão reclamando do atraso da coleta de lixo, caso da comunidade Parque da Floresta e Câmara Cascudo. A situação agrava-se porque em algumas áreas as ruas não são pavimentadas e não têm rede de drenagem, ausências que também prejudicam a circulação de pessoas e de carros pelo bairro.
Aldair Dantas
Terrenos baldios em loteamentos se transformam em lixões
Dono de um bar há dez anos na esquina da rua Santa Catarina de Sena com a rua Oceano Pacífico, no Parque da Floresta, Manoel Saraiva disse que os vizinhos "se juntaram e pagaram uns rapazes para tirarem o lixo das portas de suas casas". Saraiva contou que colocaram o lixo no meio do cruzamento para chamar a atenção do poder público e do serviço de coleta de resíduos sólidos para o problema: "Os animais também passam e reviram tudo e fica isso aí jogado".
O líder comunitário Kleber Leite de Araújo disse que uma das situações mais críticas é o cruzamento das ruas das Flores e Planície do Cariri, onde o caminhão de coleta da empresa Trópicos "não passa há mais de duas semanas".
Outro morador do loteamento Parque da Floresta, Antônio Nunes da Silva, afirmou que o pessoal termina deixando o lixo no meio da rua, "porque também não vai deixar na porta ou dentro de casa". Ele também diz que as ruas da comunidade, "praticamente todas alagam por falta de drenagem".
Até o campo de futebol localizado na rua Boa Esperança I, hoje está se transformando num "lixão", pois como área em volta do terreno é grande, os próprios moradores acabam jogando restos de comidas, garrafas pet, além de outros dejetos domésticos.
Uma senhora que saía de casa, mas preferiu não se identificar para evitar indisposição com a vizinhança, disse que os próprios moradores do loteamento Câmara Cascudo, próximo ao conjunto Nova Natal, "são mal educados" e responsáveis por jogar lixo em terrenos baldios. Segundo ela, as pessoas não têm paciência de esperar pela passagem do caminhão de coleta, que normalmente ocorre nas segundas, quartas e sextas-feiras.
Kleber Leite disse ter a informação que a causa para o atraso na coleta de lixo no Parque da Floresta era o atraso no pagamento dos serviços prestados pela empresa Trópicos, cujo gerente José Dário Filho afirmou, que "realmente existem atrasos da prefeitura às empresas que realizam a coleta do lixo", assim como acontece com a maioria das empresas prestadoras de outros serviços ao município.
Mas, José Filho acrescentou que esse não é o motivo para o atraso da coleta de lixo que ocorre hoje na zona Norte de Natal e, especificamente, no Parque da Floresta. "Por causa das chuvas, o aterro sanitário em Ceará Mirim está recebendo só um descarregamento por dia".
Ele disse que para normalizar a coleta dos resíduos sólidos naquela área, seriam necessários "descarregar três caminhões por dia" no aterro sanitário do distrito de Massaranduba, onde, por dificuldades de operação nesses dias de chuva, segundo alegação da Braseco, a empresa que administra o aterro, só está podendo receber um caminhão ao dia.
Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a Companhia Municipal de Serviços Urbanos (Urbana), informou que o pagamento com a Trópicos está em dia e que o prazo relativo ao mês de julho se encerra hoje, quando será feito o repasse dos recursos à citada empresa, que devido a proximidade leva o lixo coletado diretamente para o aterro sanitário, ao invés de passar antes pela estação de transbordo em Cidade Nova.
Fila de caminhões reflete lentidão no descarregamento
O diretor-presidente da Braseco, Henrique Muniz Dantas, confirmou que em períodos de chuvas na Região Metropolitana de Natal (RMN), como vem ocorrendo agora, o trabalho de descarrego das carretas e caçambas contendo lixo coletado em Natal e outras cidades vizinhas, no aterro sanitário de Massanduba em Ceará Mirim, torna-se mais lento, mas negou que haja só o descarregamento de uma carrada de resíduos sólidos da empresa Trópicos.
Henrique Dantas explicou que, mesmo no verão, as carretas entram no aterro sanitário com sobrepeso, mas durante a época de chuva, o lixo molhado fica ainda mais pesado. Por isso, Dantas considera "natural" o que o ritmo lento do trabalho processado no aterro sanitário, porque também cresce os cuidados com o tráfego dos veículos pesados nas vias de acesso, que ficam mais escorregadias, principalmente na área de descarrego dos resíduos sólidos: "É preciso ficar fazendo a manutenção da estrada o tempo todo".
No fim da tarde de ontem, a TRIBUNA DO NORTE constatou que havia oito caminhões à espera do momento de descarretar o lixo, tendo um motorista, que não quis se identificar, informado que a fila pela manhã "é muito maior".
Segundo os motoristas, tem dias que o caminho chega às 9 horas da manhã, mas só vai sair por volta das 15 horas. Eles confirmaram que na área onde o lixo é jogado, por causa da chuva e por questão de segurança, só está entrando um veículo por vez - no verão chega a entrar de três a quatro carretas a cada vez.
Fonte: TN on line
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