Pomposos, coloridos, super coreografados, repletos de brilhos e efeitos especiais. Os musicais de grande porte costumam patinar entre o grandioso e o cafona, sem muita preocupação em dividir a fronteira. E por isso mesmo, agradam em cheio a quem aprecia grandes experiências sonoras e visuais. O Brasil ainda não tem o pique da Broadway, mas já possui o seu nicho de espetáculos dançados e cantados que lançam mão de muito capricho tecnológico e coreográfico.
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Do cinema anos 80 para o sucesso nos palcos da Broadway, Xanadu ganha versão brasileira adaptada por Arthur Xexéo e dirigida por Miguel Falabella. O musical estreia hoje em Natal.
Natal entra na rota com o primeiro representante dessa temporada, "Xanadu - Um Musical da Broadway", dirigido por Miguel Falabella e adaptado pelo jornalista e crítico Artur Xexéo, que será apresentado de sexta a domingo no Teatro Riachuelo. Após uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, o musical entrou em turnê nacional com o Danielle Winits, Danilo Timm e o próprio Falabella à frente do elenco.
"Xanadu" é originalmente um filme sobre o excesso pop artificial e kitsch que marcaria a década de 80. Massacrado pela crítica quando foi lançado no dia 08 de agosto de 1980, com o passar do tempo virou cult. O rosto de Olivia Newton-John estampa camisetas até hoje, e algumas canções da trilha tocam em rádios nostálgicas e embalam festinhas modernas. Em 2007, virou um musical de sucesso na Broadway. O "peso" histórico de "Xanadu" enquanto ícone pop americano não preocupou Falabella e Xexéo no momento de adaptar a história.
Pelas bandas de cá, "Xanadu" ganhou humor e referências brasileiras. Venice Beach, na Califórnia, vira Rio de Janeiro. A matriz americana abusava dos cânones da cafonice oitentista, e a versão brasileira também o faz, mas com uma "pimenta nacional". "Fazemos referências a locais brasileiros, artistas nacionais, etc.", disse Miguel Falabella em entrevista ao FIM DE SEMANA, por e-mail. Ele destacou um mergulho maior no escracho e em uma "quintessência carnavalesca". E "Xanadu" tem tudo a ver com um belo desfile de escola de samba.
Para Falabella, o musical é um "besteirol da Broadway" e, como tal, aberto a várias experiências humorísticas. O enredo é puro kitsch. Na trama, os deuses da mitologia grega descem à Terra para ajudar os homens. Entre eles, a semideusa Clio, que ao chegar aqui adota o nome Kira para se adaptar como terrena. A missão dela é cuidar de Sonny Malone, um artista incompreendido que pretende abrir uma casa noturna diferente de tudo que havia sido feito até então. Para isso ela conta com ajuda de Danny McGuire - que é Falabella, também interpretando Zeus.
A famosa trilha sonora original do espetáculo, ficou sob a direção musical de Carlos Bauzys, comandando um sexteto formado por Daniel Rocha (guitarra/violão), Bernardo Ramos (guitarra/violão), Priscila Azevedo e Heberth Souza (teclado), Raul D'Oliveira (baixo) e Rafael Maia (bateria). Segundo o maestro, apesar de soar "datada", a música se mantém viva durante três décadas na memória popular. "Fora isso, são magníficos os arranjos vocais e forma como se usavam as guitarras e os sintetizadores, que procuramos reproduzir neste espetáculo", disse. As canções trazem um sentimento de "ingênua felicidade", completa.
O cenário ficou a cargo de Nello Marrese, que reproduziu o subtexto alegre e carregado do espetáculo, com visual lúdico, divertido, suntuoso e tecnológico - como se fosse um teatro de revista. A ação se passa a maior parte na rua, por isso há vários ambientes externos. A bailarina Fernanda Chamma assinou as coreografias - que seguem a linha bem humorada proposta pelo diretor. Em janeiro houve um acidente no qual Daniele Winits e o ator Thiago Fragoso caíram de uma altura de 5 metros durante uma cena de voo. Fato que levou Fragoso a ser substituído por Timm. Falha tecnológica à parte, a peça seguiu firme. Miguel Falabella falou brevemente ao FIM DE SEMANA sobre as qualidades de "Xanadu":
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Por aqui, Xanadu ganhou elementos da comédia noestilo Miguel Falabella
Bate-papo
O espetáculo foi adaptado para ter um "molho" mais brasileiro. Onde podem ser sentidas essas diferenças?
Costumamos dizer que Xanadu é um "Besteirol da Broadway", por que estamos emprestando esse humor tão genuinamente brasileiro ao musical americano. E nas referências que fazemos aos locais do Brasil, artistas brasileiros e etc.
- "Xanadu" pertence aos anos 80. O público ficaria limitado por isso ou desperta mais curiosidade?
O grande trunfo do musical é justamente debochar da loucura que foram os anos 80, do próprio filme e tentamos levar isso as últimas consequências.
Qual a diferença entre a "cafonice" americana, da peça original, e a brasileira?
Tanto lá quanto cá essa cafonice é assumida, mas quisemos ressaltar esse aspecto ainda mais em determinados figurinos, nas próprias coreografias, fazemos tudo com mais escracho.
"Xanadu" promove alguma renovação no território da comédia besteirol?
Estamos unindo o Musical Americano com o Besteirol Brasileiro, creio que aí se dê essa renovação.
Musicais super produzidos estilo Broadway ainda são raros no Brasil. Por quê? É uma questão de recursos ou seria mais cultural?
Rio e em São Paulo essas montagens têm sido cada vez mais comuns e numerosas, por vezes até disputando pauta, por que não são todos os teatros que comportam a infraestrutura de um musical. Faltam teatros mais estruturados para receber produções desse porte.
Serviço: Xanadu - Um Musical da Broadway. Sexta e sábado, às 21h, e domingo às 17h. Teatro Riachuelo. Mais informações pelo 4008-3700.
VEJA O QUE VEM POR AÍ NOS PALCOS MUSICAIS
WHO'S BAD - THE ULTIMATE MICHAEL JACKSON TRIBUTE BAND - Dia 19/05 (Teatro Riachuelo)
Grupo americano pela primeira vez no Brasil. Turnê brasileira segue para Curitiba, Recife e Porto Alegre. O Who's Bad foi criado em 2004 pelo saxofonista e compositor Vamsi Tadepadelli. O espetáculo tem banda tocando ao vivo, com direito a figurinos, coreografias, cenografia e toda a atmosfera dançante que cercava Michael Jackson, o Rei do Pop. Os bailarinos "desafiam a gravidade". Os músicos da banda já tocaram com nomes como Aretha Franklin, The Four Tops, Boys II Men, e Backstreet Boys, entre outros.
MARY POPPINS - UMA BABÁ PRATICAMENTE PERFEITA - Dia 07/07 (Teatro Riachuelo)
Montagem baseada no livro de Pamela Travers, é um musical colorido, que foi idealizado e concebido coreograficamente pelo professor Henrique Camargo. O texto adaptado e a direção são de Wellington Dias. A produção promete agradar a todas as idades e, além de divertir, guarda alguns ensinamentos morais para a criançada. A história, figurinos e cenários reproduzem a Londres de 1910, mostrando como a carismática e mágica babá Mary Poppins consegue conquistar os difíceis irmãos Jane e Michael.
Fonte: Tribuna do Norte
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