quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Saturada x Insaturada


Nem mesmo pacientes com doenças cardiovasculares, que deveriam ter mais cuidado em suas escolhas alimentares, sabem diferenciar as gorduras boas para o coração daquelas que provocam o entupimento das artérias. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita com 600 pacientes cardíacos atendidos pelo Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo.
A amostra de entrevistados contou com pacientes de todas as classes sociais. A maioria deles, ou 55% do total, acredita que a gordura do tipo insaturada deve ser evitada pelos cardíacos. Na verdade, essa classe de gordura ajuda a aumentar o colesterol bom e a diminuir o colesterol ruim – um saldo positivo para o coração, portanto.
A pesquisa mostrou ainda que alguns alimentos com fama de vilões entre os pacientes, na realidade têm uma boa composição nutricional: é o caso da maionese, por exemplo. Mais de 84% dos entrevistados disseram acreditar que o alimento tem uma quantidade alta de colesterol e 74,4% afirmaram que o teor de gordura saturada também é alto. Mas esse tipo de produto, hoje, é pouco calórico e apresenta baixo teor de gordura, garantem os médicos.
Presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Durval Ribas Filho afirma que a má fama da maionese é resultado do modo como ela era produzida antigamente. “A maionese caseira tinha grande quantidade de gordura. Hoje, a indústria alimentícia conseguiu um perfil nutricional muito melhor para esse produto”, avalia. Outro ‘injustiçado’ é o ketchup: 85% dos pacientes afirmaram que o produto, à base de tomate, é ruim para a saúde.
O médico Daniel Magnoni, da Divisão de Nutrição Clínica do Dante Pazzanese e coordenador do estudo, acredita que os pacientes têm uma memória informativa muito antiga. “É por isso que eles acham que a maionese de hoje é como a da vovó, com muito óleo e ovo. Confundem os alimentos e têm uma dificuldade muito grande de ler rótulos”, diz.
Para Magnoni, além das letras pequenas das embalagens, as informações ali contidas não são compatíveis com o conhecimento popular, de modo que o paciente sente dificuldades para ‘decifrá-la’. O resultado disso é o desinteresse do consumidor pelas informações: 30% dos pacientes admitiram que nunca leem os rótulos e outros 37% disseram que só prestam atenção nele às vezes.
Por outro lado, 86% dos avaliados já associam a ômega 3 como uma forma de gordura saudável. Magnoni diz que o objetivo do estudo foi avaliar o quanto do conteúdo transmitido aos pacientes é adequadamente fixado.
As palavras “saturada”, “insaturada” e “trans” não faziam parte do vocabulário do motorista Ronaldo Rei Cândido da Silva, de 57 anos, até que ele precisou se submeter a uma cirurgia no coração. Com a orientação dos médicos, ele está aprendendo a escolher melhor os alimentos, mas confessa que ainda se confunde. “É difícil. Eu e minha esposa começamos a ler os rótulos.”
A partir dos resultados, os pesquisadores concluíram que os pacientes absorvem melhor as informações recebidas durante consultas feitas em grupo, nas quais são propostas atividades mais dinâmicas, em comparação às consultas feitas individualmente.
Agora, o Dante planeja fazer cartilhas didáticas para explicar sobre os diferentes tipos de gordura e investir mais em atividades em grupo e debates sobre o tema.
MARIANA LENHARO
Fonte: Estadão

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