Se você toma muito sol, sem proteção, corre sério risco. Vá para o espelho, pois... O perigo está na cara
Se você faz parte dos 6% de brasileiros que afirmam nunca se expor ao sol, talvez possa ficar tranqüilo. Mas, se pega praia, vai à piscina, tira a camisa no churrasco, na pelada com os amigos ou quando corre no parque, comece a se preocupar. E caso esteja dentro do universo dos 70% de brasileiros que nunca usam protetor solar, pode entrar em pânico.
“A principal causa do câncer de pele é a exposição prolongada e repetida à radiação solar ultravioleta”, afirma o dermatologista Luis Fernando Tovo, um dos organizadores do censo sobre pele realizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cujos resultados foram divulgados no 21o Congresso Mundial de Dermatologia, em Buenos Aires, em outubro. Os raios que precipitam o aparecimento de lesões cancerosas são especialmente os UVB (de comprimento curto, com nível de energia que permite rápido bronzeamento, podem provocar queimaduras graves). Os UVA (de comprimento longo, com baixo nível de energia, demoram para causar queimaduras), por sua vez, são ótimos para bronzear, mas envelhecem a pele. A longo prazo, além de rugas e flacidez, podem causar câncer pelo efeito cumulativo.
O câncer mais perigoso é o melanoma: foi ele que matou Bob Marley, por exemplo. Agressivo e de evolução rápida, é o que mais cresce no mundo: nos últimos dez anos, sua incidência aumentou 20%. Embora represente menos de 7% dos casos, segundo o Instituto Nacional do Câncer, tem notável facilidade de dar origem a metástases, ou seja, de se espalhar para outros órgãos, uma vez que uma célula cancerosa entre na corrente sangüínea ou linfática. O outro tipo, o carcinoma, é menos agressivo e raramente fatal. Na forma basocelular, aparece em 70% dos casos, tem crescimento lento e raramente se dissemina. Na forma espinocelular ou de células escamosas (25% das ocorrências), cresce mais rápido e lesões maiores podem levar a metástases.
De todos os tipos de câncer, o de pele é mais comum no Brasil, com 25% dos casos. Felizmente também é um dos mais previsíveis. Segundo a dermatologista Ana Maria Pinheiro, professora da Universidade de Brasília (UnB), suas vítimas preferenciais são indivíduos de pele e olhos claros, sardentos, que ficam vermelhos rápido e se bronzeiam com dificuldade, com mais de 40 ou 50 anos. Quer dizer, esse costumava ser o perfil. Os dermatologistas notam um aumento das ocorrências em pacientes jovens. “Tornou-se comum receber no consultório caras de 30 anos com uma pinta no rosto que não desaparece”, conta o dermatologista Roger Ceilley, professor da Universidade de Iowa (EUA). E, quanto mais clara a pele, maior o risco. Em 2006, no Brasil, 61,8% dos pacientes eram brancos e apenas 6,8% eram negros. Estes levam uma vantagem natural, já que a melanina, pigmento que dá cor à pele, ajuda a protegê-la também.
Você está na zona de risco?
A resposta é sempre “sim”. Mas, para descobrir seu grau de risco, responda a estas dez perguntas
1. Você é do sexo masculino?
A pergunta é válida, meu caro, porque mulheres também lêem esta revista! E elas nunca tiram a camisa no parque ou durante o jogo de futebol, como nós costumamos fazer.
2. Você é branco?
O câncer de pele faz discriminação racial. Os brancos têm dez vezes maior probabilidade de desenvolver câncer de pele do que os negros, porque a pigmentação escura funciona como uma proteção solar natural.
3. Você é ruivo?
Caras com apelido de Ferrugem correm até quatro vezes mais risco. O pigmento do cabelo ruivo está presente em toda a pele e fornece menos proteção natural às radiações ultravioleta A e B do que o pigmento que produz cabelo escuro.
4. Você tem histórico familiar de câncer de pele?
Como em outros tipos de tumores, a propensão ao câncer de pele pode passar de geração para geração. Um gene defeituoso é capaz de tornar galhos da árvore genealógica mais sensíveis ao sol.
5. Você sofreu queimadura de sol grave quando era criança?
Se você se lembra de ter ficado alguma vez muito ardido, provavelmente foi uma queimadura grave. E somente uma queimadura na infância pode dobrar seu risco.
6. Você já fez bronzeamento artificial?
Caso você já tenha pago uma única vez para ficar moreno, aumentou duas vezes e meia seu risco de desenvolver um carcinoma espinocelular e uma vez e meia de desenvolver um carcinoma basocelular.
7. Você é fumante ou ex-fumante?
Não só seus pulmões saem perdendo. Fumar entre 11 e 20 cigarros por dia mais do que triplica o risco de desenvolver carcinoma de célula escamosa, segundo um estudo de 12 anos realizado com quase mil pessoas.
8. Você vive no alto da montanha?
Quem mora em cidades altas têm 34% mais risco de sofrer uma queimadura solar. É fácil de entender: a grandes altitudes, o ar é mais rarefeito e, conseqüentemente, a radiação UV que você recebe é mais intensa.
9. Você tem sardas ou muitas pintas?
Sardas raramente se tornam cancerosas, mas são sinal de um defeito de pigmentação que aumenta sua suscetibilidade ao sol. As verrugas, porém, podem sofrer mutação e se tornar melanomas.
10. Você fica muito tempo ao ar livre no trabalho?
Quando seu corpo é bombardeado por radiação ultravioleta 40 horas por semana, 52 semanas por ano, existe um potencial incrível para danos à sua pele e ao seu DNA.
RESULTADO
Se você respondeu “não” da primeira à última pergunta, seu risco é BAIXO.
Se você respondeu “sim” a uma ou duas perguntas, seu risco é MÉDIO.
Se você respondeu “sim” a três ou mais perguntas, seu risco é ALTO. Examine com cuidado sua pele uma vez ao mês.
Fonte: Menshealth
Fonte: Menshealth
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